Fiz o meu percurso, quebro a aventura do silêncio, vou por estradas sem destino, pela rota do norte, acelero e corro, pareço um menino, não uso cigarro, também não tenho catarro, vou até ao berço da minha pátria. Fins-de-semana sempre fora, hoje diferente, entre mim, estranha gente, cafés da ocasião, interpelo, surge sempre uma opinião, uma nova situação que me prontifica a um novo desejo.Palavras além do instante, algumas saudades, das amizades construídas em outro tempo, daquilo que me parece fora da expressão, uma vida, toda uma unidade, a escrita, o grande sabor, o sorriso que se desvela num encanto sem limite, ante as vagas de um lençol branco… das coisas todas duvidosas.Asfixia atribulada no pulsar das palavras, neste paladar de nomes que desfilam de modo privado.Hoje não me apeteceu corrigir testes, apenas desenhei no olhar um poema de Safo, enquanto o telemóvel ficou no silêncio.Ligação ao reino do pecado, às promessas pungentes, esta afeição que ainda sustento ao imediato, encobrindo as palavras indizíveis. Piadas do sossego, do arrebatamento, sem herói, apenas numa folha impecável, esterilizada pela indiferença de tudo com tudo, no simples gesto em que escrevo.O coração não tem mais o lugar da prepotência das palavras e os sinónimos são insuficientes para completar o propósito da cerimónia.O sótão da infância guarda as primeiras recordações, dorme, sem personalidade e a euforia é um ponto final sem regresso.
Guimarães, 10 de Fevereiro de 2007 – 18:32h
Escrito no Café Óscar
segunda-feira, 25 de junho de 2007
A CONSEQUÊNCIA DA DISTÂNCIA
Tecem-se os dias pela esperança, em nome do amor. As sílabas prometem o desenho do vento, enquanto te interpreto no segredo vagaroso, a consequência da distância, talvez da memória adormecida, aquela que te convém.Chove lá fora e o vento sopra com a sua força enquanto te guardo no armário do silêncio. Credível mensagem sem consciência, agreste nos sorrisos tresmalhados do tempo, ante as folhas dos choupos, com palavras melancólicas e confusas. Chamaste-me nomes, apenas gostaste dessa posição, não existiu outra como essa. O secretismo da palavra viajou no ponteiro dos relógios, manteve o ofício das cores e o teu nome veio até mim, uma vez mais, falou-me do rumor dos dedos, perdidos no grito de uma gaivota, entre o abraço que ficou sem utilidade.As memórias do silêncio tocaram-me carícias conjugadas de corpos, os beijos que o vento silencia e que naquele dia criticaste.A casa do silêncio perdeu-se nos degraus da solidão, na vertigem da mensagem obscura, na outra palidez, tão breve quanto a escrita que me diriges. Conheces o meu desassossego e as viagens da cadência sem diâmetro. Tudo é tão belo, porque o primeiro princípio se instaurou… e uma nova luz desceu reunindo a manhã e a tarde, o lugar da escrita, neste sacerdócio que não podes precisar.Silêncio sem espessura, a consequência das arestas da tristeza em lugares que afloram à entrega dos condicionalismos. Foste assim a angústia inútil, o sonho demorado que inventei, foste a saudade e a voz da minha imaginação, o caminho interminável que bateu no silêncio. Já não sei de ti!Desenhaste o rumor de todos os fluxos, a escrita do sangue e a definição sem vida. Ficou a mágoa inexpressiva, o silêncio e o rumor do vento, este gesto sem sombra, onde desenho um outro mundo, como consequência da distância.
Porto, 13 de Fevereiro de 2007 – 22:18h
Porto, 13 de Fevereiro de 2007 – 22:18h
NAS TRÉGUAS DA INÉRCIA
Esbati-me contra o significado, por formas suficientes para virar o olhar, ainda que nada tivesse dito e por vezes diz-se sem se dizer. Escrevo porque é vital esta prática, desde tempos que já lá vão. Sai logo pela manhã, ancorei-me no café do costume, hoje um pouco com pressa e lancei um sorriso de acolhimento e nada faltou para que outros viessem até mim, não sei se teve a ver com o visual que hoje aprontei. Por vezes faço destas, perdi algum tempo, mas foi o que achei necessário. Cabelos em pé, um pouco de gel e o visual chamou a atenção. Coloração…Nada de rotina, apesar do dia em causa, nada de inércias… apenas acreditei em mim, ainda que o resto não funcionasse, porque disso também não me importo. Muito prático procedi. As palavras mexeram, deixaram o momento centrado e foram mais longe, incorporaram e tornei-me diferente.Nesta onda de pensamento, quase alcalino, temperei a tua fonte, e guardei o silêncio da tua opinião… apenas recordei o abraço que me deste com muito apego. Ondas seguidas de ondas, entre vocábulos de nada e de tudo… a sorte é que amanhã é dia livre para mim, possível de um outro silêncio, tal como penso hoje fazer, sem que te dirija uma palavra, talvez já o tivesse feito, pela saudade atrevida. Não faz mal, perdes o tempo irrecuperável, o que lamento, diante de todos os artificialismos.As feições do prazer conduzem-me aos encantos breves, nas folhas da incerteza, ante imagens invisíveis, onde a cruz esconde todo o teu sexo. Sim, o sexo das palavras, os sons que ouvimos e deliramos… naquele tempo acariciei o teu pensamento ancorado pela memória, agora caminho contigo nas tréguas do amor inexplicável.
Porto, 14 de Fevereiro de 2007 – 14:50h
Porto, 14 de Fevereiro de 2007 – 14:50h
RESÍDUOS DA CONSCIÊNCIA
Neste compartimento dos significados, mundo de ambiguidades, marcas de presença deixo que as evidências executem a perspectiva, a primazia da razão, o sabor da acção e do significado moral, aquele que possibilitou o nosso encontro, ante a rede tecnológica do desejo.Foste modelo, orientação, conduta, a tentação de todas as minhas tentações e ainda não deixei de gostar de ti! Executaste a cumplicidade pela admiração e veneração, ocupaste assim a condição suprema, nesta decisão patológica, ligada à chama da vontade.O teu nome emoldurou no meu peito um imperativo, orientando-me à inspiração, ainda que perdido pela sombra obsessiva. Abateu-se sobre mim este raio, o exílio dos viandantes, por um refúgio além de mim, cujo significado resplandecente pelas coisas que são irrecusáveis e singulares no peito.O vento bebe as enfermidades da linguagem, acendendo outras chamas por estádios de reflexão, entre poetas e filósofos.Os teus contos anularam aquela metáfora e a luz aproximou a representação, gerou o cumprimento de uma mensagem. Que mais poderá ser belo a não ser o belo que considero como belo? Os novos valores não passarão de meras hipóteses, na tentativa de tentar dizer que todo o caminho é uma apóstrofe violenta! Sinto nos interstícios do meu ser a tua presença, violenta, com o mandamento do arauto dos princípios sem aspiração. Essa grandeza é uma luta esgotante, contorno de demências, conduzindo a um paralogismo sem vento que agite. Sou a tentativa pela abertura, ainda que a fachada se torne imprópria… não quero que isso seja um crepúsculo patológico, deixa apenas que o absoluto se funda nos resíduos da consciência.
Porto, 14 de Fevereiro de 2007 – 17:55h
Porto, 14 de Fevereiro de 2007 – 17:55h
DECLIVES DA IDEIA
Naquele dia alguma coisa fez sentido, ainda que agora a tua posição seja contrária, contrários fomos sempre nós, mas muito próximos, tal como o mar e o vento! Lembras daqueles pensamentos?A tua casa esconde muitos valores, desde o tempo quente ao aconchego das promessas onde por vezes nos uníamos. Aquele olhar profundo fixava-me e nada mais seria para lá do nosso ponto de focagem. Muitas experiências, a tua uniformizou o azul do céu que se abateu sobre a orla do meu desejo! Nunca pensei que fosses tu, confesso; foste quem no primeiro impacto não gostei.Uma música quebrou o meu reino, tirou-me do sossego, embrulhou o vento e fez-me esquecer o cabelo solto. Agora, a pergunta é pelo que havia e pelo que existe… continuo um seguidor das cores que a árvore veste, enquanto saboreio as amoras do campo estival.As sombras são como pedras no sossego, no caminho de dentro da terra, onde deixo uma mensagem, enfunando um rosário de questões, todas as que vestem a constância da minha alma e que se agita numa convulsão temporária. As minhas pálpebras são indicadoras do teu beijo, recortam a impressão do trevo, ao infindável do declive da ideia, o lugar sério para a noite.
Rio Tinto, 15 de Fevereiro de 2007 – 10:39h
(Grande Porto) - Escrito no café City jovem
Rio Tinto, 15 de Fevereiro de 2007 – 10:39h
(Grande Porto) - Escrito no café City jovem
ENTUSIASMOS QUE OXIDAM
Tomado pela bruma dos ditirambos encontrei o teu nome no lugar do acaso, vedado pelo inconsolável e no insondável dos apegos, onde encontro a tua voz, repartida, na metáfora dos olhos escuros. Aquela metáfora parece não se alterar, abarca um inventário de experiências, onde a alma perdida se esbate no imperativo gráfico, com as imagens da resistência entre atalhos que não posso precisar.Tomado por esse princípio, por essa voz guardo no peito o final da história sem incêndio, perante a boca sem palavras, nos papéis difíceis da escrita.As aparições são convites ao entusiasmo, recortado pelos pulmões, às intempéries da força intrínseca.O princípio da tarde desafia a distância, corta a vontade das palavras longas, os sabores da conversa sensível, como o rio que se fecha no peito aceso. As palavras escondem pedaços de mim, num jardim em chamas, pelo frio na noite que se oxida. Os poemas ficam nus enquanto cruzo as pernas, enquanto bebo da tua paciência, aquela que não tem nome ante a luz dos jogos emocionais.Neste vazio de monólogos subterrâneos bebo da fronte a última conotação enquanto o beijo enceta o fio de água epidérmico, o lugar dos lugares de todos os nossos lugares.
Rio Tinto, 15 de Fevereiro de 2007 – 13:10h - Grande Porto
Rio Tinto, 15 de Fevereiro de 2007 – 13:10h - Grande Porto
PÁLPEBRAS DA CONTINUIDADE
Nas pálpebras do meu mundo pincelo as telas que o sol enrola, com os modos dos alaúdes espelhando a imagem das incumbências e dos socalcos, ao amor da grafite estilada que a luz empalidece.Na simetria do jogo da desolação ceifo vozes que o vento dissipa pelo prado amigo, enquanto desenamorado escrevo uma mensagem que te dedico, por feições de cores várias ao reino dos flancos em flor... A última haste quase sulfurosa conta-me a história das florações do imaculado desejo, ao que carrego o último estalido da música, entre sustenidos e bemóis, a um tom de quinta diminuta, face a todos os acidentes que a pentagrama pode acolher. Comas musicais! Lembras? Arpejos de ocasião que agitam uma sineta, ante clamores e archotes de bela combustão... o amor é assim, poucos o entendem. Este eco pesa o meu ventre e escreve com a língua uma memória gigante, aquela que ficou desde o dia salgado, ante o polegar afivelado.
Porto, 16 de Fevereiro de 2007 - 23:55h
Porto, 16 de Fevereiro de 2007 - 23:55h
ILUSTRAÇÕES DA INFÂNCIA
Aqui, na estação do tempo, à espera do comboio ante o teu olhar, tomo da memória recortada, as águas da praia, o beijo da amizade onde te pude abraçar.Beleza tão profunda, olhar indescritível, a profundidade da superfície, o todo da bruma onde te guardei, enquanto caminhámos e que agora é a mansão da saudade. Memórias de um tempo importante, das flores que colhíamos… agora o tempo é pouco, talvez uma tristeza preencha o vazio, da viagem que ficou por fazer.Carreiros do desejo, introspecções que me assaltam enquanto componho os meus textos de narração muda. Fitos do olhar que tomaram abraços, ainda que a melancolia fosse a resposta da dança… eu colhia orquídeas silvestres, face à incerteza dos afectos, perante os apoios de cortesia. Brincadeiras rasgadas de ausência, apenas comigo, nas ilustrações do pó, onde o pensamento era a minha companhia. A ironia toma os sinais do código, num desenho pletórico quase normal, a esta entrega despreocupada. O meu nome incomodou, os sinais eram violência de linguagem, aquilo que nunca pudeste entender, porque a orientação perdia-se na dor, aquela que nunca te falei mas que orientou a minha infância.
Porto, 17 de Fevereiro de 2007 – 22:47h
Porto, 17 de Fevereiro de 2007 – 22:47h
PALAVRAS SEM SENTIDO
Correm os dias, continuo a escrever, passeio-me por blogues e mais blogues, face à vénia da palavra perante um mundo que é agressivo, ou alguns elementos são agressivos, violentos e não funcionam dentro dos parâmetros considerados os ideais. Escrevo palavras ao acaso, para ninguém, talvez para quem não as venha ler, talvez para apenas o acto de dizer, o que não se deve contar, porque todo o viver, é um breve percurso sem se perceber o que é na verdade por aqui estar. Continuas a acreditar nessas palavras, são esses entusiasmos que compõem a tua vida, essas formas tentam conferir ser ao que parecia estar perdido. Na aureola do inabalável encontro-te e ainda bem que pelo menos te sentes feliz com essas escolhas e essas decisões que vais fazendo no decurso da caminhada. É bom ouvir uma música, pegar nas cordas e falar do amor, ainda que de modo descontinuado… passagens avessas, tal como muitas vezes sou e me encontro perante os valores de um mundo decadente, ao qual por vezes encontro dificuldade em me adaptar. Dirás que sou um inadaptado… bem, tu dizes muitas coisas e do que disseste, já chega.Espero que não te tenha sido indesejável por te dizer que gostava de abraçar-te, por te dizer tudo o que penso e sinto, por ser assim, talvez a aberração da existência!. No decurso do tempo logo se vê, certamente não te irei dizer mais nada e ainda que todo o sentido seja apresentado, falta algo, sim, falta e para encerrar essa falta, a doença chegará e a morte colocará o selo final. Quando dum lado rejeita, a lado nenhum se poderá ir… também nem sei para onde vou e lentamente irei por outro caminho, conforme o vento, conforme a saudade, conforme o pensamento, conforme a realidade. Não posso ter o que não me é permitido, muito menos no que diz respeito às formas do afecto. Tive-te um dia, por instantes, apenas isso… depois tudo perdi! Dor… Tenho consciência que por vezes fico perdido, sem saber para onde me virar, sem saber o que dizer ou ainda escrever. Precisava de ti, apenas para me dares força, para seres o que nunca ninguém poderá ser, somente isso, um amigo, mais nada, com isso tudo dava graças à existência. Contudo, insisto em escrever, apesar de sentir que todo o meu ser se está a desmoronar, como que até o mais óbvio, seria colocar um ponto final na vida, como se o sono se prolongasse eternamente, na sacralidade da imaculada consciência. Não entendes isto, nunca conseguirás entender, muito menos perceber o que não te disse. Nada mais tenho a dizer a quem nem me quer ouvir, eliminando o sentido que era o sentido… resta-me apenas silenciar lentamente e da realidade desaparecer.As formas são informes e todas as leituras são apenas vómitos do momento, dor para a natureza transformar… em nada mais posso acreditar.
Porto - 18.02.2007 - 15:17h
Porto - 18.02.2007 - 15:17h
DEPOIS DA TARDE
As perguntas, as respostas, escritos em multiplicidade, versando os mais diversos temas, uns do desagrado, outros do infortúnio, o facto é sacerdócio da escrita acaba por preencher aquilo que parece ter ficado em falta.Na aventura do olhar, interrogo-me a cada instante que o esbatimento da fronte traça a sua relação, enquanto tento preparar um suporte inabalável de estabilidade.Situações e problemas que fazem parte da vida de todos os mortais, uns mais desejados outros nem por isso, figuras do caricato e do aborrecimento. Observo discretamente quem por perto de mim se faz passar, sem emitir uma palavra (também não sou muito de falar), apenas registando sinais e tónicas de preenchimento que lentamente me conferem vida. Ninguém escapa à situação e a existência justifica-se pela observação, cumprimento triste ou não, do abatimento do eterno.Nos meus braços rodopiam a saudade daquilo que deixei de ter! Examino, como o intuito de procurar respostas disponíveis e aventurar-me ao outro sentido, removendo os princípios retrógradas do anterior.A tua apresentação carece de significado, as emoções ainda continuam nas trevas e a imagem que se amplia leva o meu sangue, o meu sémen e toda a ansiedade que termina num abraço. Depois da tua morte nunca mais me senti feliz! Penso-te e custa-me imenso aceitar tudo o que aconteceu, contudo, a vida é feita de opções na tentativa de preencher o inacabado.Sinto-me um prisioneiro, um condicionado… situação humana dos infortunados. Vou ler Hitler, Maquiavel, vou procurar outros interesses, ainda que o meu fim seja uma clínica psiquiátrica. É inconcebível a minha existência, coloco-me em fuga, ferido, com o coração despedaçado, restando-me a paz, depois da tarde.
Porto, 19.02.2007 – 15:33h
Escrito no “Parque Nascente”
Ps – O tio faleceu hoje, amanhã são as cerimónias fúnebres
Porto, 19.02.2007 – 15:33h
Escrito no “Parque Nascente”
Ps – O tio faleceu hoje, amanhã são as cerimónias fúnebres
MOMENTOS FELIZES
Recorto os dias com o seu rosto, ao sabor da água que corre no açude, enquanto leio as tuas palavras perdidas, que pincelam a ausência e a fuga.Andas por caminhos distantes, ao sabor da erosão desvirtuada!Ergues a tua morada, passado pouco tempo, essa mesma casa fica na escuridão, não existem mais entradas e o teu nome é apenas uma hipótese. Entendo-te como uma hipótese no decurso dos dias, ave perdida, no desejo pervertido dos caracteres difusos que se dissolvem nos escritos do vento. Não podes conceber os meus intentos na varanda do silêncio, uma vez que deixei de fazer parte dos teus objectivos!A própria voz rasga as paisagens da vida, diante dos círculos do céu infinito. A voz exibe-se como o desconhecimento da distância, proveniente do corredor antigo, com palavras de tinta, guarnecidas no olhar penetrante. São sonhos pintados que evocam a foz do amor, ao sorriso implacável da existência… estas somas são as matrizes dos grandes princípios que desde aquele dia consideraste. Considerações nunca faltaram… disso sempre o teu olhar me falou. Hoje apetece-me recordar-te, em nome das formas e da profundidade. As situações evocam devaneios, desejos que se multiplicam e que perdem o nome… desde aquele dia, aquele em especial, ficou registado o título, aquele que lavrou os momentos felizes, os lugares iluminados.
17.03.2007 – 13:40h
17.03.2007 – 13:40h
DAS COISAS DO ETERNO
As coisas que deixaram de ter nome, são apenas impressões, resíduos que se gastam na sucessão.A eternidade esgota-se no pensamento e o teu nome derrama a verdade final, como um sopro que emula uma posição, vacilante e por vezes comprometida.Desde o princípio procurei outros horizontes, com o intuíto de resolver os problemas, ante o inacabado das metáforas e das criações sem tentáculo. Todo o meu entendimento não o consegues apreender, a minha postura é de abominação desvinculada e os nomes enchem o banquete das emoções, na sucessividade da respiração.A eterna permanência é o jogo do silêncio, algumas vezes corrompe-se pela ansiedade, hoje embebi-me pelos odores do meu rio, inalei a verdade perdida, à incitivação das coisas sem nome.
Tavira - 13.03.07
Tavira - 13.03.07
BRILHO E BREVIDADE
Surgiu a manhã com o seu sorriso, com a sua voz das cores disponíveis, eu caminhando, encontrei o que me era preciso, debrucei-me sobre o horizonte, vi boas vontades e uma nova dança para inteirar.Um cristal, um homem que se aproximou, um silêncio desenhado na esperança, uma aventura, outra dança… o medo da amargura. Qual antídoto para esta situação… lancei-me no imenso mar da emoção e escutei de novo a tua voz! Sim, escutei, tenho na memória o teu som, desde as vezes que falámos, desde os olhares que trocamos e tanto mais que foram coisas boas. Coisas boas! Lembras? Algo falta e continuas a escrever, continuas a dizer aquilo que o tempo parece ter absorvido, outras vezes esquecido, contudo, nada achei proibido.Derramou-se o imenso desejo na dança da vontade enquanto a respiração regulava o olhar e continuas-te o trabalho sem parar! Sempre foi sem parar, sempre foi. Não posso reclamar, apenas recordo por recordar aquilo que a memória conseguiu guardar.Tudo me pareceu perfeito na vastidão da inocência, espessura sequiosa do momento, da tarde e da noite que se movimentou, tal como o vento, tal como a grande realidade… e foi assim que o tempo encerrou a amizade. O que existe agora? Silêncio e distância, não porque eu queira, mas porque tu queres! Apenas fiquei triste, mas a vida continua e recordo-te com saudade, com a eterna emoção de que a vida é uma dupla verdade.O meu absoluto foi a dança mais bela que contigo pude partilhar, contudo, da minha janela, sinto a chuva para me refrescar.Procuro pela validade… apenas ficou o brilho, a escrita e a eternidade.
Porto, 26.03.2007 – 15:26h
Porto, 26.03.2007 – 15:26h
HORIZONTE ACOLHEDOR
Nos flancos amedrontados do tempo, os olhos rasgam as palavras, com o sorriso que se abre, sem hesitações. A vida acontece, esfumada nos limites que se prolongam, com as fronteiras do desejo, sorvendo as sílabas tresmalhas da pronuncia retardada, onde naquele tempo te encontrava.Uma palavra, outra palavra e todas essas palavras nada me dizem, talvez me tivessem dito naquele tempo, agora, apenas repetem aquilo que sempre foi dito! Dizes, e muito pouco dizes! O silêncio é um escudo que as horas sustentam, desenhando a arquitectura do olhar, aquele, o outro e o outro. Foi pelo olhar que te encontrei e pelo olhar te perdi, restando apenas o caminho aberto para o outro lado, aquele de que nada sei. Também nunca saberás nada… todo o saber esbate-se numa construção que leva muito tempo.Neste recanto quase inacessível, as pétalas da flor velha renovam-se, enquanto contemplo os ramos altos do sorriso da memória e o teu gesto não passa de uma solidão escondida. Ainda que não queira, nada posso fazer, o que resta é render-me ao tempo e ir na viagem derradeira, para o fim que não sei quando é! A beleza irrompe uma outra feição, face ao fascínio do horizonte acolhedor. Agora o sorriso inunda e sopra uma outra dádiva… voltaremos um dia.
Porto, 27 de Março de 2007 – 11:38h
Porto, 27 de Março de 2007 – 11:38h
DISSOLVO-ME EM TI
Com o nome da cor sem cor, dissolvo-me em ti, entre o silêncio e estas ondas de pensamento que nos unem desde os dias belos, com as formas da intuição.O meu interior pulsa numa relação inteira, na intimidade do corpo que se entrega pela orla de todas as rosas e perfumes, aqueles que sorvi no dia certo.Tudo o que escreveste foi dança de fôlego maior desde a entrega, desde as dissimulações e de tudo isso que nos uniu, como algo para o qual todas as palavras não chegariam. Sabes perfeitamente a minha opinião e se tivesse de repetir tudo, certamente o fazia com o mesmo gosto, com a mesma vontade, com tudo aquilo que naquele dia soubeste, não sobrando sonho algum ou pinta que não tivesse no seu lugar o rosto certo.Dissolvo-me entre a idade e o nome, entre a entrega e o incansável, por tentativas que inauguram um florescimento, contudo confesso, foste, és e serás a força do meu imaginário, pelo sentido que me dizes não existir. O meu sensível, certamente será o teu, as vozes da memória tomaram os flancos da ambivalência, os socalcos que o longínquo guardou na transparência, como afago das arestas do silêncio e dos filtros do antagonismo transcendente.Desde a primeira hora que desejei ser teu amigo e os lábios entre perfis que se ajustaram escreveram nomes, escreveram conceitos, alguns ficaram gravados na minha memória, como o escudo da minha identidade.Na penumbra do espelho acerto o relógio e aguardo o dia de poder olhar o teu relógio, esses olhos que tomaram os meus em profundidade, dissolvendo-me em ti, por caminhos inexplicáveis da foz que o sossego acolhe.
24.04.2007 – 23:56h
Hoje é dia do livro – Para ti, todos os meus livros!
24.04.2007 – 23:56h
Hoje é dia do livro – Para ti, todos os meus livros!
NADA… NADA
Nada, nada...
Algo e algo
Contudo sem nada
Sem algo
Sem nada
Sem nada de nada.
Mais alguma coisa,
Mais, mais, nada
Nada sem coisa alguma
Sem algo, sem nada
Nada... nada… uma.
Logo mais nada
Depois fica o nada
O nada, nada, nada
Nada de mais nada
Porque todo o nada
Sem nada mais nada.
Porto - 24.04.2007 - 01:05
Algo e algo
Contudo sem nada
Sem algo
Sem nada
Sem nada de nada.
Mais alguma coisa,
Mais, mais, nada
Nada sem coisa alguma
Sem algo, sem nada
Nada... nada… uma.
Logo mais nada
Depois fica o nada
O nada, nada, nada
Nada de mais nada
Porque todo o nada
Sem nada mais nada.
Porto - 24.04.2007 - 01:05
ENTRE O RUMOR DA SOMBRA
Por todas as pétalas que te dediquei, por tudo o que em ti pensei, ainda penso e continuo a pensar, apesar de nada me dizeres, de me teres lançado no lixo e nunca mais teres dado sinal… tendo eu esse sinal do modo que nem podes fazer ideia! Tudo isto para nada, talvez para tudo mesmo, com esse mesmo que ninguém possui.Entre as minhas ondas, os pensamentos, as formas de estar, ainda que aqui esteja, deixo de estar, porque caminho por locais que nem conheço.A verdade incomoda, é um triste rumor que entendo ser mesmo assim, veicula uma nova postura e acentua o veio da existência. Penso e tanto escrevo que nada te digo, por espaços de que nem fazes ideia e a ideia perde-se como tudo o que é.Com este olhar, tomado do tempo, apenas me apetece escrever, ficar aqui no meu cantinho, deitando para fora tudo o que sinto, sem que tudo isso possa servir a quem o devia. Ontem o Abril falou-me sem que o verdadeiro grito mostrasse a verdade distraída! Faltou algo… tu também faltaste. Outros faltaram… agora apenas uma dor parece corroer o meu corpo, parece que algo não ficou bem e o que parece não parece e a chefia para nada serve. Vou embora, mergulhado nas ondas de pensamento, com as minhas crónicas, serão elas do meu dia-a-dia e dos outros dias. Tudo isto e mais aquilo, as sombras, as memórias, os versos e o outro lado da expressão que se guarda para o momento próprio quando a palavra se consagra pela razão.
Porto, 26 de Abril de 2007 – 16:15h
Porto, 26 de Abril de 2007 – 16:15h
ANTE ESSAS FRASES
Diferente, exultante…
Sozinho neste rochedo,
Rumoreja a voz fogosa!
Sons dedilhados,
Aquele atrevimento…
Crepúsculo da coragem.
Regresso das ruinosas rocas,
As heras do meu peito…
Folhagem impaciente,
Tomada pela revolta diferente
O engano da vida ardente
Entrega despretensiosa…
Para meu pranto,
alívio somente.
Não espero, não acredito!
Ninguém chama… nada!
Desígnio intacto,
Saudade mutilada,
Sonhos furtivos,
Estranha vibração,
Escarnecido da fé,
Doutrinas da treta…!
Orlas infernais, essas,
Jamais, nos meus umbrais.
Digo adeus, vou emboraPercebi,
lembrei, chegou a hora
Estranha vibração…
Sombras fantasmais,
Essas frases, as tais.
Guimarães, 28 de Abril de 2007 – 19:06h
Escrito no Café Óscar
Sozinho neste rochedo,
Rumoreja a voz fogosa!
Sons dedilhados,
Aquele atrevimento…
Crepúsculo da coragem.
Regresso das ruinosas rocas,
As heras do meu peito…
Folhagem impaciente,
Tomada pela revolta diferente
O engano da vida ardente
Entrega despretensiosa…
Para meu pranto,
alívio somente.
Não espero, não acredito!
Ninguém chama… nada!
Desígnio intacto,
Saudade mutilada,
Sonhos furtivos,
Estranha vibração,
Escarnecido da fé,
Doutrinas da treta…!
Orlas infernais, essas,
Jamais, nos meus umbrais.
Digo adeus, vou emboraPercebi,
lembrei, chegou a hora
Estranha vibração…
Sombras fantasmais,
Essas frases, as tais.
Guimarães, 28 de Abril de 2007 – 19:06h
Escrito no Café Óscar
MATRIZES EM PROGRESSO
Não sei se será isso ou outra coisa que se possa considerar… considerações do desajuste e do indizível, esta vontade louca de considerar o inconsiderável. Posturas e nomes das fontes do acaso, incausáveis.Nesta postura de constituição não me consigo encontrar, perco-me entre a ficha mitográfica e os desejos das plumas sem fulgor.Esta vontade atraiçoa-me a autonomia do ser, por postulados que não constituem acesso algum. O conceito é apenas uma transposição e os títulos reparam a minha ansiedade do acaso, as matrizes ocidentais de observações esparsas.No conceito destituído de conceito d´-se a eclosão do sentido, e nesta morfologia de parecer, ausento-me, tomo-me nas matrizes verticais, sem situação, em progresso escrito.
Porto, 03 de Maio de 2007 – 17:58h
Escrito no café “Progresso”
Porto, 03 de Maio de 2007 – 17:58h
Escrito no café “Progresso”
PERPLEXO DA COR AZUL
Encontro-me por aqui! Escolha de caminhos, sou eu e o meu destino… levanto questões, multiplicidades e interrogo-me acerca do para o qual o tudo tem valor? O tudo que serve para tudo é tudo que tudo para que tudo nada serve! O acesso ao tudo é o tudo para não ter o tudo, ainda que o tudo se disponibilize como ponto de fuga. O esmagamento do tudo é no próprio tudo que não é mais do que uma ausência. Penso contigo na dor da existência… e a abordagem aniquila-me a construção do rosto quando me esqueço do mérito do tudo tomado no todo.Procuro encontrar ou encontrar-me e nada sei… caminho interrogando, ligando imagens, tomando-me em profundidade na componente existencial. São leituras, metodologias, angústias da verdade, problemas de conceitos e outras tantas coisas por resolver.Imagens da memória, experiências, outras vivências… uma página e modos de roteiro, este indeterminismo de ocasião quando sou e não sou pioneiro.Grafismos da alma, um pensar azul, jogos que se fundamentam entre valores que se dispersam. No disperso, o meu esquema esgota a tua compreensão, os recursos disponíveis, os rituais dos dias com rosto, os outros rostos também. Eis a multiplicidade… um perplexo azul.Vive e lembra-te do essencial porque os tempos agitam, adequam as dimensões que me ultrapassam, as outras ainda que deixo em aberto e que em tempo próprio encontrarás.Perco a autonomia quando adormeço mas, vivo quando escrevo e todos os temas remetem-me para a inquietação do quotidiano, esta na qual estou implicado, logo quando disperso.No prazer estético, o meu fôlego amplia-se e rendo-me ao momento das questões, à grandeza do sentir, neste ritmo, bastante problemático, bastante empolgante, mas é o meu, tal como o nome que me puseste.Fica em aberto o nome da canção, a diversidade, esse local onde me perco, sim, desde aquele tempo, onde tentei encontrar o amor do sol e da água… virtudes diversas.Sustenta-se o devir no meu peito, este pulsar de transparência, o fogo que me consome paulatinamente, tal como a tua postura, por vezes sem lugar.Faço a gestão do meu ser, este que se perde e unifica no todo, isso a que um dia lhe chamei de tudo. Sim, o meu tudo muito tomado em mim, com o rosto azul, na unidade de todas as coisas que me tomam na totalidade.Recordo-te, talvez o essencial, enquanto dever que me projecta e completa no incompleto daquilo que sou, tal como tu que ainda noutras vertentes exibes a autoridade sem que tenhas algo a ver com isso… tudo isso um dia se perderá e para tal, nada poderás fazer. A tua valia bebo-a do tempo e dos outros tempos também, enquanto recupero a cor azul, aquela com que me unifico na eternidade.
Vila Real, 10 de Maio de 2007 – 19:20h
Escrito no Hotel Mira CorgoVila Real de Trás-os-Montes
Vila Real, 10 de Maio de 2007 – 19:20h
Escrito no Hotel Mira CorgoVila Real de Trás-os-Montes
VOLTAS E VOLTAS
Hoje acordei cedo, vim para os blogs, andei a escrever, alterei o endereço do blog, tentei colocar o original, para manter a quem o tinha dedicado desde aquele tempo, continuei a alterar e parece que ainda não acertei. Mas não vou escrever, agora muito, por aqui, por ali, por acolá e certamente fazer mais um blog, em sítio diferente. Apenas digo um olá... ondas de pensamento. E claro, os tais caracteres difusos que desde a primeira hora te dediquei, apesar das coisas não terem sido as melhores, contudo, penso que é sempre bonito manter este sentimento por ti. Deixa o resto, para nada serve e a vida é muito curta. Demasiadamente curta. Nunca te esquecerei, ainda que possas dizer e tornar a dizer que entre nós nada faz sentido. Talvez o não fazer sentido, é todo o sentido, é tudo o que nada mais podes ter. Porque desta e não de outra maneira... tens-me assim.
Porto - 26.05.2007 - 10:47h
Porto - 26.05.2007 - 10:47h
MOMENTOS DE MOMENTOS
Movimento um sorriso no eterno desejo, neste espaço curto, muito curto e sinto-te como o princípio do fim que não tenho, nos sinais que ainda vou abordando.O teu sorriso conduz-me a uma outra interpretação, aquela que passa pelas promoções do encontro, com a ansiedade que não dominas, eu também não! O tempo absorve-me na psicologia da ocasião, no regresso impróprio de um corpo enviesado pelo nada, nas sublimações do sorriso da tarde. É muito tarde, ainda que seja cedo, ainda que o desejo corrompa as percepções do destino e o corpo cai na aparência, entre reforços ineficazes, vontades ansiosas, onde desejo a percepção de todas as crenças.Os problemas podem ser perturbações de personalidade, onde te defino, na época dos instintos, alguns azedos, outros estilizados pela dificuldade da uniformização.A tua voz enche todo o meu prazer, completa as regularidades dos dias cinzentos, onde a dor me transporta ao mundo do não. A ansiedade é forte e tu partiste para as terras do nada, talvez impróprias, com o carácter dos hábitos que acabei de perder… sim, perdi-me desde aquele dia, certamente nunca mais me encontrei e a rotunda da felicidade é apenas uma expectativa.Foram corroborados os padrões da entrega, onde a minha alma escamoteou a minha imagem, a tua e a de todos os que a mim se abeiraram. Nomes sem retorno dos quais me despeço, onde perco a visão do dia elegante.Passou tanto tempo e ainda tenho saudades das saudades que se fundiram, da profundidade e do erotismo, tudo aquilo que temperou o meu sangue e as tendências da apreciação. Acreditei no que desacreditei, no ópio do olhar e nas soluções da diversidade de concepção. O tempo domou-me no seu complexo, na consciência originária, impregnada de um outro temperamento, aquele de que me falaste quando cruzavas o olhar no meu.Os nossos desejos fundiram-se, num temperamento fleumático, onde por medida, o meu crer em ti, era quase total! Foram dedicações e foste embora… agora podia-me inscrever, só que é tarde, demasiado tarde e os momentos já são outros. Volta!
Porto, 02 de Junho de 2007 – 19:40h
Escrito no Café “O Piolho”
Porto, 02 de Junho de 2007 – 19:40h
Escrito no Café “O Piolho”
OBSESSÃO POR TI
Tomar tudo isto em mim, é um pensamento intrusivo, indesejado e desagradável, onde não consigo suprimir tudo isto pela minha vontade. Obsessão despropositada, não a consigo ignorar… tudo volta ao meu pensamento. Perturbaste a minha alma e foste embora. Tudo isto é absurdo, mas existe, conduz-me ao sofrimento, mesmo desnecessário. Absurdo sentimento que tenho por ti, desde o primeiro olhar… não consigo evitar esse grande monstro que me vai consumindo lentamente. Será delírio? Algo acontece, euforia de pensamentos metafísicos, filosóficos, evocando a vida e o destino da humanidade. Não sei de ti! Pensamentos ruminativos onde perco a possível resolução. Náusea do sentir, dúvida que me incapacita, deixando-me por vezes inibido. Medo sem medo do medo que se amedronta… confesso que é uma afronta sem solução. No pico irracional fico inibido, perdido entre cervejas que não tomo! Presença egodistónica, claro, muito estranha à minha maneira de ser. Perco-me no indesejável, no repetitivo, como por vezes me disseste, lembras? Penso na morte, no sexo, no dinheiro e a minha preocupação é que a vida é curta, demasiado. Delírio ou alucinação do nada… esta compulsão atrevida que me rouba a vida. Indesejável esta forma de sentir… ritual estranho.
Porto, 02.06.2007 – 20:20h
Escrito no café “O Piolho”
Porto, 02.06.2007 – 20:20h
Escrito no café “O Piolho”
HIPÓTESE DESLOCADA
Nada mais do que o livro das visitas sem ninguém, recortado pelo silêncio. Nesta profundidade de todas as ondas ainda escuto a tua vontade, perdida, no holocausto dos desejos impróprios. Nada mais do que isso, porque o resto, apenas foi um sorriso como forma simples de fuga. Quantas fugas não encetas no decurso dos dias fúteis? Quantas? Não as consigo precisar… estou muito longe e todo o resto não passa de uma hipótese deslocada.Encontro no silêncio todas as tuas sombras, as saudades escritas na areia e nos desejos que o olhar aponta, muito mais do que tudo aquilo que um dia me revelaste. Foram revelações, algo maravilhosas que consegui reter na memória regrada da minha existência.
12.06.2007 - 15:43h
12.06.2007 - 15:43h
quinta-feira, 21 de junho de 2007
A FACE DO EXTREMO
Violaste a palavra do amor, as contas que a luz lançou, na introversão do extremo, onde pude abrir o olhar, sereno comprometido nos flancos do céu sem cor… restando apenas a superfície inumerável do deslumbramento das coisas que não vês.A quietude das coisas impressiona-me… tu também! É mais profunda e habita o silêncio da luz, das balanças nos seus templos, ressonando e conquistando o brilho, esse que pensei ter conquistado, cheio da beleza desejada. Nada conquistei, apenas deixei tudo fluir, tudo muito lentamente, como o ar entre os meus dedos, entre a minha sorte, a sorte que não tenho, a que penso ter, a que ainda vou pensar e tudo o resto que fica disponível, isso mesmo que se apresenta indisponível, iludindo-me como se a possibilidade fosse mesmo possível. Chega de camihar no faz-de-conta que é apenas aparência, mentira, engano, anestesia… chega disso, o que sobra é literatura, lençóis brancos de poesia.Todo o esplendor transporta-me a um mundo imaginário enquanto outros vivem a realidade, e neste local assisto a outros sorrisos, esses que ficam dispersos e lentamente se diluem no rascasso azul do círculo do mar, entre o interior que aos poucos vou contornando sem contornar. Todo o esplendor é apenas um estado de não estar! Renasço-me na implacável luz, nos pensamentos profundos, na harmonia dos orvalhos e nas sombras que ajoelham todo o meu ser. Sim, este ser do qual tens a mínima percepção, todo labiríntico e desprovido de pendor, esse fulgor que pensavas que fosse tomado por mergulho do sangue e da brancura que se dispersa no silêncio sem nome. Liguei, apenas accionei a tecla, voltando a mesma à posição inicial, sem que houvesse comunicação. Estou, não sei como estou, estou no estado em que não estou bem, todo este estar é um estado ilusório, para um contentamento descontente, porque nada mais espero e desde aquele dia fui tomado pela ingratidão… sim, aquela à qual não sei definir e no meu orgulho morro no silêncio sem nada mais te pedir.
Grande Porto – 16 de Maio de 2007 – 11:02h
Grande Porto – 16 de Maio de 2007 – 11:02h
PEREGRINAÇÃO DAS FLORES
As tuas palavras devolvem-me a embriaguez das âncoras, fazem-me lembrar aquelas paisagens antigas, aquelas do perfume recortado, onde te tomava, quando o silêncio nos protegia, quando a vontade nos controlava e tudo era mais profundo, tal como o mar, onde nos íamos encontrar. Apenas a sede pelo vento nos juntava um pouco mais, desde os tempos sem nome.Nada adiantava o esquecimento, quando o frio me vestia de todos os teus momentos e me aproximavam de ti, desde a serra ao mar, conseguindo encontrar a perfeição que depois se esvaia entre os dedos macerados pelo desgosto. Total tensão! Total agonia! Mar crispado, desentendimento, coligação das almas. Mitos do tempo sem data, gravados no tempo dos sons, da diferença, das ondas perdidas nos anseios das algas. Lembro-me do sabor das tuas palavras, das negas que me davas, dos segredos que guardavas, onde acendias maiores medos sem sentido. Tu acendias sempre todo o sentido e par o não sentido te lancei para sempre.O teu coração foi sempre uma pedra, todo o teu valor caiu da janela, a tua postura de estátua e esse róseo no teu rosto fizeram olhar-me de modo diferente… olhei ao teu quarto e recebi abraços de veneno… apenas folhas vazias, com lixo a mais. Sim, porque nunca foste a minha verdade, ainda que entendesse abandonar-te para sempre, sim, para sempre, porque foi isso mesmo que desejaste, ainda que te recorde, no fim dos tempos. O teu valor é não teres mais valor para mim.O jeito da saudade alterou o silêncio do olhar, fundiu-me na explosão fulgurante, entre o rio e os pinhais, nesta serra, onde esculpo o surpreendente dos aromas de Maio, enquanto te tomas nas peregrinações da senhora das flores. Flores de Maio, dos fios de ternura sem memória, do ouro, da fantasia recortada pelos flancos do silêncio, onde guardo a tua imagem, aquela que transportei para o esquecimento.
Porto, 14 de Maio de 2007 – 22:38h
Porto, 14 de Maio de 2007 – 22:38h
CORES NO MEU PORTE
De várias cores o meu porte
Vagueio sem destino…
Na angustia do sentimento
Tornado vivo, tornado morte.
Perdido espero a felicidade…
Todo vestido de preto,
Gotas de um deus na tarde
Preterido pelo tempo vazio
Desgosto do sentir, não sinto.
Mostro-me tomado distante
Esta minha constante, constante
Das cores que não percepcionas
As razões que ambicionas.
Ambição sem ambição, no freio
No porte sem norte, sem sul…
Nessa crueldade, aquele meio
A força que me absorve, no seio.
Porto (Rio Tinto), 11 de Maio de 2007 – 18:57h
Vagueio sem destino…
Na angustia do sentimento
Tornado vivo, tornado morte.
Perdido espero a felicidade…
Todo vestido de preto,
Gotas de um deus na tarde
Preterido pelo tempo vazio
Desgosto do sentir, não sinto.
Mostro-me tomado distante
Esta minha constante, constante
Das cores que não percepcionas
As razões que ambicionas.
Ambição sem ambição, no freio
No porte sem norte, sem sul…
Nessa crueldade, aquele meio
A força que me absorve, no seio.
Porto (Rio Tinto), 11 de Maio de 2007 – 18:57h
ENVOLVER-ME
Não sei o que vem, nem o que vai…
Corre a água na minha pele seca
Vadio percorro o mundo,
Ouço o sibilar da tua voz,
As folhas rolando na calçada
A ironia das tuas palavras
O passado agigantado…
A fragilidade, o tempo esgotado
As sombras entre nós.
Frio do frio, quente do quente
Vogais que acomodo no sentir…
Porque fico ausente, talvez a dormir
Porque a vida é um fim antecipado
Eu não te digo nada
E deixo que tenhas um olhar
Que prossigas a tua caminhada
Que saibas no teu tempo, mergulhar.
Águas agitadas, música no relento
Areia toda molhada,
Sol tão desejado para me aquecer
Envolver o meu pensamento.
Porto (Rio Tinto), 11 de Maio de 2007 – 18:36h
Corre a água na minha pele seca
Vadio percorro o mundo,
Ouço o sibilar da tua voz,
As folhas rolando na calçada
A ironia das tuas palavras
O passado agigantado…
A fragilidade, o tempo esgotado
As sombras entre nós.
Frio do frio, quente do quente
Vogais que acomodo no sentir…
Porque fico ausente, talvez a dormir
Porque a vida é um fim antecipado
Eu não te digo nada
E deixo que tenhas um olhar
Que prossigas a tua caminhada
Que saibas no teu tempo, mergulhar.
Águas agitadas, música no relento
Areia toda molhada,
Sol tão desejado para me aquecer
Envolver o meu pensamento.
Porto (Rio Tinto), 11 de Maio de 2007 – 18:36h
INQUIETAÇÕES DO SENTIDO
Consciência do monte dos devaneios, pelas estradas que esgotam a verdade das minhas reminiscências.Este propósito improvável das somas esquecidas conjugam uma nova definição, enquanto guardo no meu ser toda a harmonia legada, entre as frentes do Minho, a serra com a sua altitude, toda uma paisagem que foi esculpida.No centro da cidade recortada pelas artérias, tomaram-se olhares onde me abriguei, com o nome certo de toda a profundidade, manhã da tarde tomada num beijo crepuscular, qual arremesso da entrega, o a vontade pelo diálogo, onde te encontrei, na labuta das palavras, aquelas que foram conjugadas no silêncio do olhar comprometido, o estado puro onde se desvelam todas as emoções.Viagem da fotografia, do livro de filosofia, todos os ditames que conjugaram a hipótese da entrega, a peripécia guarnecida pelos flancos da tarde, entre o rio e a profundidade do sentir.Mundos diferentes, por pentágonos e hipérboles, tecendo a foz da geometria e a promessa do novo encontro, esse que te possa aproximar mais de mim, na dança dos juízos que nos conduzem à felicidade. O teu nome atiçou-me para um novo pulsar, para uma nova cadência, do folhetim misto que conjugou o verbo namorar.Neste largo de designações esperei por ti desde os dias da palavra, sem conjugação, hoje tomada na totalidade, face ao predicado da existência, onde lentamente pude observar-te. Gostei!Conversas, recordações, sugestões, guarnecendo o passado, voz volúvel na toponímia do olhar, vulcão que me prendeu ao desejo indizível. As coisas de sempre ordenam nova oportunidade, subsidiam um novo sentimento e nesta luz de autenticidade, confesso que meu olhar ficou preso ao monumento.Iluminação, este é o tempo que nos resta, na rua das particularidades, por fronteiras de uma nova cidade, onde te conheci.O desejo comanda a vida pela força interior que o mesmo produz, num rasgar a totalidade, até à união das distintas partes. Avançar ou permanecer no local? Simplesmente contive a pulsão, contudo um impulso estranho contribuiu para uma pausa, uma vez que um som estranho celebrou o estacionamento. Verdadeira iluminação sem nome!Existem palavras cujo seu significado esgota todas as descrições disponíveis, porque tudo isso reside para lá da percepção. Dicotomias da linguagem e das sensações. Inquietações do sentido!Deixo-te aqui as minhas fugas do pensar, as verdades não apreendidas... um pouco mais, acaso o teu interesse possa penetrar no esplendor da fusão dos nomes.Possibilidades da impossibilidade, esta crença das conjugações, as que os corpo se propõem... a inovação que irrompe a grande entrega da envolvência do significado representativo, o desejo de ser no auge do teu ser, porque a oportunidade é a razão da vida.
Vila Real, 10 de Maio de 2007 - 13:53h
Escrito no Café Avenida, junto à Câmara Municipal (esplanada)Vila Real de trás-os-montes
Vila Real, 10 de Maio de 2007 - 13:53h
Escrito no Café Avenida, junto à Câmara Municipal (esplanada)Vila Real de trás-os-montes
NO REPASSAR DÚCTIL
No silêncio dúctil do corpo, repousa o cemitério dos teus desgostos, entre as formas cansadas do dilúvio que o amor guarda nas lápides torcidas. Eu aqui, destilando o invisível, sonho-te na delicadeza da hora mágica e nos outros pormenores que o olhar desvenda e constrói.Pedes-me para ir ter contigo, e neste esboço, pareço resistir, admito-o e confesso que não seria mal de todo, contudo a chuva que se faz sentir lá fora corta a minha vontade. A vontade tem também a sua resistência, impede a outra dança enquanto no repassar dúctil te ofereço uma parte de mim, essa de que gostas...Neste local, entrelaçado pelas palavras, pelas sensações e por outros caracteres, acredito no ser absoluto, isso que se desvela enquanto bebo das ficções, as forças do tempo catártico, as outras dos imperativos e das coisas que guarnecem as formas valiosas, essas que consegui apreciar em ti, desde que possibilitaste a minha aproximação. Dizes-me tanto sem que te veja!
Porto, 30 de Abril de 2007
Porto, 30 de Abril de 2007
JUCUNDO ACOLHEDOR
Altar das palavras…
Desfecho da vontade
Rosa temporária
Bosque dos nomes
Sombra viçosa…
Mortal pensamento.
Ausência, silêncio que sangra!
Irrompimento do sonho,
Cinzas iluminadas…
Família ilusória
Nada derradeiro
Este cansaço, fatal…
Refúgio rubro,
Flor que não floresce
A minha súplica, ardente.
Ao lado das coisas, adormeço
A lua recolhe a luz…
As palavras são sentido,
Todo o sentido é o valor
A permanência do que desaparece.
Ardor na brandura…
O mergulho do leito sem feito
A vontade derramada…
O momento que solidifica
Tranças do olhar,
A morte sonolenta!
Falaste-me da aparência
Da bebedeira da escuridão
A aurora que folgou
O cântico sem mais sabor.
Guimarães, 28 de Abril de 2007 – 18:48h
Escrito no Café Óscar
Desfecho da vontade
Rosa temporária
Bosque dos nomes
Sombra viçosa…
Mortal pensamento.
Ausência, silêncio que sangra!
Irrompimento do sonho,
Cinzas iluminadas…
Família ilusória
Nada derradeiro
Este cansaço, fatal…
Refúgio rubro,
Flor que não floresce
A minha súplica, ardente.
Ao lado das coisas, adormeço
A lua recolhe a luz…
As palavras são sentido,
Todo o sentido é o valor
A permanência do que desaparece.
Ardor na brandura…
O mergulho do leito sem feito
A vontade derramada…
O momento que solidifica
Tranças do olhar,
A morte sonolenta!
Falaste-me da aparência
Da bebedeira da escuridão
A aurora que folgou
O cântico sem mais sabor.
Guimarães, 28 de Abril de 2007 – 18:48h
Escrito no Café Óscar
Subscrever:
Mensagens (Atom)