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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

TALVEZ SEJA ILUTRAÇÃO DO ACASO

Rua dos Nomes, de Samuel, o Ventoso
O toque do teu ser invade a minha essência, tomando-me na plenitude do corpo, nas entranhas de uma doçura implacável, igual ao teu nome, esse que pronuncias ao meu ouvido.
Nada no dia, nada na noite, apenas ilustrações, estas que deixo para ti, porque todas as outras ultrapassaram o prazo de validade. Validades! Tu és a própria validade, o sorriso e o preechimento das coisas que fazem sentido, ainda que os licores enformem tão docemente. Deixo-te as sementes do acaso onde não te encontro e o que encontro nada me pode dizer! Incrível a tua postura, apenas teclas, com uma verdade pouco convincente, tendo em conta o que parece preencher a minha alma... tudo continua na mesma. Talvez seja ilustração do acaso... entre outras formas que aprecias e que se perdem no silêncio e na ausência. Sou doce, tão doce que não poderás conceber assim a minha doçura, entre as ilustrações que se redimem...
Na procura efusiva, parece falta algo e o prazer é como uma bomba de sensações, somente tu encontras em mim aquela que te preenche. Ilustrações... talvez seja a ilustração do acaso.
Agora, ficam pedaços de sensibilidade, encontros de palavras e harmonia do som, entre as lacunas opalinas do silêncio... pelas outras fontes que não sabes expressar, tudo isso fica para outra altura, talvez essa que por tarde em demasia, esgote todo o significado, esse que as cores lhe tinham atribuído.

22.11.2007
Samuel, o Ventoso
Olhando as Ilustrações...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

SONÂNCIAS E OLHAR COLORIDO

Rua dos Nomes, Samuel, o Ventoso
O nome que deste ao meu corpo perdeu-se no sangue do espírito, no beijo das memórias atrasadas e na centelha inaugurada de todo o resto. Perdi a vontade de ter a vontade, apenas tenho o meu lugar e os sulcos da morte que farejo numa alucinação sem nome. Todas as sinapses construíram o mundo do adeus, neste abismo amnésico de sensações sem sorte! Sabes que a minha mão guardou o teu calor, apenas fiquei impaciente a esse agoiro, a essa correria, a cavalaria da pesada! Deixo-te nos restos da minha alucinação antiga, entre as horas da romaria silenciosa.
Dispo o nome deste grande vácuo nas sombras que me acariciam com o selo anti-matéria, na jangada de todos os pontos movediços… tu escreves a possibilidade na tentativa de me conduzir, sem que tal condução esteja disponível! O verbo admite a primeira fase, as outras demoram a amadurecer e os gestos são remansos impróprios de uma saudade que já não existe, as sonâncias alteram o seu rumo do meu olhar e os coloridos instalaram-se docemente na minha alma, com outros nomes, na rua que se deixou fotografar, ante o pó e a escuridão.
Uma nova varanda, onde te sirvo os meus devaneios, alguns descontinuados, mas com a delicadeza de sempre, porque para ti ainda continuo a ser o desejo concedido dos momentos insaciáveis. As brumas tecem o nosso envolvimento glorioso, a lógica das manhãs temporãs, enquanto o relógio adormece. Quero mais experiências todas essas juntam o momento escolhido. Escolhemo-nos então…

12.11.2007
Samuel, o Ventoso

sábado, 3 de novembro de 2007

NO SEGREDO DO SAGRADO

Rua dos Nomes, de Samuel, o Ventoso
Junto ao rio, tomo-me nos salgueiros, saboreando a tua eternidade, o ácido do prazer, esse néctar que os deuses lançaram como pureza perdida da imensidão. Isso que nunca ninguém saberá postular face a todos os contornos, a todas as entregas do romance da tarde, pendendo para a noite acolhedora.
Contigo encontro o meu copo, esse que um dia ficou perdido e no descoberto lançou a festa da existência, dissolvendo-se no olhar perdido. Somos na impressão digital do nosso segredo sagrado, por movimentos lilases entre a forma oblíqua da esperança.
Tenho ainda na memória a glória que se dissolve, essa que me conseguiste imprimir, essa que me fez sentir feliz, essa que imprimiu o limiar de todos os sentidos, ainda que por só um instante. Todos os instantes acolheram no segredo sagrado a marca daquilo que nos continua a unir... sempre.

03.11.2007
Samuel, o Ventoso

domingo, 29 de julho de 2007

ESTOU BEM E PONTO FINAL

Estou bem depois de ter reflectido e olhado atentamente sobre a minha imagem. De manhã dei as minhas saudações, cumprimentei amistosamente a quem a meu lado se juntou. Um sorriso de lado a lado faz bem e ajuda a viver, contagia a boa disposição aos outros. Esta alegria finalmente voltou a estar comigo depois de alguns momentos de apreensão. Nem sempre as coisas são como desejamos… evoluem a um determinado ritmo. Andei a dar uma volta, fiz algumas fotos… as repetições fotográficas! Fui para o MSN, teclei com alguns amigos, uns mais carrancudos, outros antipáticos, outros indiferentes e outros no ataque verbal. Não me deixei atingir, apenas verifiquei comportamentos, as ditas atitudes corriqueiras. Atitudes não faltam por esses lados que não sobrem.

21.04.2006 – 17:50h

INSTANTES

Quero dizer-te algo, não consigo, o teu estado desencadeou em mim um instante, uma tensão que não consigo desbloquear, fiquei como que incapacitado de agir. Estes fenómenos remetem-nos para a incapacidade de lidar com a situação. A situação é a obra do instante… perdeste com isso, ainda que eu me tenha tornado noutro, por motivos de mudança. A mudança opera, transforma… esta é a actividade de circunstância.
A vida é um instante que já terminou, um ápice que escapa aos mortais, um breve adeus entre os diversos adeus, para silenciar nos recônditos da eternidade. A vida é este instante de estar aqui e logo desaparecer dos pontos de controlo. Interrogo-me numa tensão constante sem que alguma resposta me cause acalmia, por mais consciente que seja das realidades. Este instante encontra-se em saturação, na própria tensão de existir. A vida suscita-nos interrogações todos os dias e a tendência é desvendar o que não se deixa mostrar… neste momento, a impotência do humano exibe-se na sua condição, face ao embate do nada. Evoco-te e de nada serve, nada passa da emissão de um som, como se fosses esse som… as coisas pautam-se por repetições de sons em circunstância.
As pessoas são pontos em movimento que se perdem lentamente. Todos tendem à extinção, mais dia, menos dia, esta é a verdadeira condição, é uma passagem, ao ritmo do tempo, por instantes não pensados.

12.05.2006 – 07:50h

sábado, 21 de julho de 2007

CATEGORIAS

A categoria que te confinei naquele dia foi apenas mais um erro, entre outros que tenho cometido. Enganei-me, nada mais, apesar de, durante algum tempo tentar averiguar a situação. Hoje digo que isso faz do passado e que está relvido. Penso eu, mas entre o dizer e o sentir, não é bem assim...
Fim-de-semana com muitas novidades, muitos movimentos, pessoas novas nos meus conhecimentos. É preciso ter em conta que cada ligação pode travar a minha liberdade, com o seu peso e inclinação de pensamento.Dei uma voltas carro, tive com amigas no café. Dia preenchido. O R. telefonou-me diz que amanhã quer tomar café comigo, vamos ao Centro Comercial. Aceitei na boa, gosto dos meus amigos e ele continua a ser uma pessoa especial desde os tempos de Faculdade. Isto é lindo.
O meu fortalecimento psicológico tem vindo a acontecer pelas forças de circunstância... categorias.

04.06.2006 - 09:40h

DO QUE SINTO E PENSO

Mais um dia a acordar cedo, muito cedo. Estou com um pedaço de sono. Encontro-me no café, a tomar o meu pequeno-almoço e de portátil na mesa. Tinha uma mensagem no telemóvel, era do R., agradável acordar com uma mensagem de alguém que pensou em nós. Logo que possa, dou-lhe resposta. Era fixe que ele estivesse aqui a tomar o pequeno-almoço comigo. Mas nem sempre é possível. A vida é feita de situações…Movimento ao acaso, perto das festas, sim das festas, não que eu seja muito dessas coisas. Hoje é véspera de Santo António (os santos populares). Como lembro dos dias de Lisboa, as festas da sardinha assada, o envolvimento profundo, aquele bairismo, os pormenores que vivi, as sensações porque passei, um mundo vivencial, cheio de presença.
Hoje é mais um dia para essas recordações, para esses momentos… desejara eu que fossem outros, que tudo fosse diferente. Tomo-me a mim, nestas coisas e delas desapareço, lentamente, tomado por outros pensamentos, por outras atitudes, por situações diferentes.
Logo de manhã comecei a ouvir na rádio as marchas populares, todo aquele pulsar alfacinha, a força e os impulsos de um espírito que hoje é bastante vivido. Confesso que por instantes, senti uma saudade profunda (saudade de tudo o que mexeu comigo desde a infância, até mesmo as coisas que a mãe contava). Ao mesmo tempo senti que sentir tudo isto seria ou é mau. Nada disso, disse mais uma vez a mim próprio, certas coisas fazem parte do passado e viver certos sentimentos não é muito bom. Ainda que nos custe determinadas realidades, o melhor que se tem a fazer é continuar a caminhada, com dores ou sem dores; as dores surgirão um dia, mas tudo será normal, fazem parte do percurso.
Brevemente tenho mais o lançamento de um livro, é daquelas coisas que gosto mas ao mesmo tempo aborrece-me. Já li o livro todo, tenho-o no telemóvel em pdf, foi-me enviado pelo autor; por acaso até escreve muito bem. Gosto bastante dos seus escritos, nunca o vi pessoalmente, porque conheci-o pela net, num blog. Engraçado estas coisas! Já falámos duas ou três vezes por telemóvel e pareceu-me simpático. Mas sinto algo ali que não sei muito bem explicar. Continuo a ler os seus trabalhos, todos. Prefiro não os comentar, mas sim tomar o sabor das verdades literárias.Gosto de escrever, uma das coisas que mais prazer me dá na vida… já foi o tempo que muitos dos meus escritos eram publicados nos jornais, nas revistas e até em antologias; agora não estou muito virado para isso, prefiro apenas escrever por escrever, tipo desabafo. Colocar tudo o que sinto e penso no papel, nos meus cadernos e agora nos blogs.

12.06.2006 – 08:03h

sexta-feira, 6 de julho de 2007

QUE AFLIÇÃO

Quase senti um peso no peito. Tentei entrar no blog e não consegui, coloquei o login e a pass e não dava. Bem, era mais um para esquecer. Mas não sei como, lá consegui. Está.

04.01.2006

REFRESCANTE SIMPLICIDADE

Nesta refrescante simplicidade
Da tua voz, enleio-me na saudade…
Grandeza verdadeira, profunda
Ausência, tensão, esforço pessoal
Tudo isto abunda… nada igual
Tudo isto, é fruto deste sentir natural.

Obra que se eleva no meu peito dorido
Toca docemente o teu olhar…
Algo que se passa em mim sentido
Da minha vida, outro lugar colorido
Tudo aquilo que não podes pensar.

19.08.2006 – 22:51h

segunda-feira, 25 de junho de 2007

ONDAS DA NOITE CERRADA

No silêncio, apenas no silêncio caminho
Calmo... com a noite de chuva...
Sentindo os sons da água,
O barulho da natureza
Aqui, sozinho, pensando
Observando as palavras
Tudo o que até mim chegou
Confesso: é tudo singeleza.

Lembranças do passado, da casa,
Do café, do olhar, do beijo...
Sempre aquele... continuo ainda a pensar!
A vida é mesmo assim, este estar
Activando um novo desejo
Para que o desejo possa passar.

Interrogo tudo e resta apenas a morte!
Resta apenas isso, para onde vamos...
Resta apenas do fim que espera!
Este lugar, onde estamos e não estamos;
Que importa que alguém comigo se importe
Se o que me resta não lidera?
Fica apenas, o selo da minha sorte
Uma réstia vazia de quimera.

Noite escura, coberta pelo universo...
Talvez de saudade, ou apenas de pulsões
De nada e de tudo... apenas deste estar
A força da noite tomada de breu...
Noite, como a tua noite, como a de todos
É esta a noção da vida e de tudo o que é teu.

O que resta deixa de restar, é silêncio...
Tudo o que não posso falar...
Tudo, apenas o que não posso dizer,
Maior do que tudo o que possa pensar
É neste meu silêncio ainda te querer...
Para todo o sempre sem te encontrar.

O sempre abarca todas as pulsões...
Tudo o que possas cogitar, tudo isso,
Do mais, apenas resta o nada igual à morte!
Pensas o contrário... isso é a tua sorte,
A sorte de não ter sorte... isso é forte!
Emoções, guerra de fé e razão... isso!
Apenas deixo no silêncio o meu não,
Deixo este pedaço de mim, um pouco mais,
O regresso de te encontrar, ainda que no fim.

Porto, 08 de Fevereiro de 2007 - 23:41h

quinta-feira, 21 de junho de 2007

SEM LOCALIZAÇÃO

Se o dia se tornasse claro e a minha alma se convertesse ao entendimento dos sentimentos e tudo fizesse sentido, quando esse mesmo sentido me parece perdido... eu era feliz! Eu tinha o que muito desejo, apenas tinha o que não tenho. A felicidade não é apenas uma palavra que se escreve, o seu conteúdo apenas possibilita estados de alma, isto que não compreenderás e neste estado do estar... apenas sinto que não devo dizer nada mais, a tua ausência é bem clara, tudo diz e quebrar o silêncio é negar-me uma vez mais entre outras tantas vezes que me neguei. O silêncio é como as palavras... Quando nada mais existe para dizer, o silêncio apenas justifica tudo. Se o teu desejo fosse mesmo o de estar comigo não me presenteavas com o silêncio, com a indiferença e com tudo isso que não posso descrever. Uma coisa sei, que nada te poderá substituir ainda que fiques eternamente ausente. As minhas lágrimas converteram-se em tempestades de revolta, desespero que nunca ninguém poderá avaliar e tento fingir que tudo está bem neste percurso tão vazio. Ontem encontrei alguém, até era simpático, mas o meu pensamento apenas estava em ti, simplesmente isso enquanto tu vives num outro mundo, o mundo que não é teu, de mentira, de escondimento... matando todo o meu ser. Mergulhado nos tumultuosos pensamentos, escuto as palavras da consciência e o vazio dilata-me as veias e corre a fúria pela rua dos nomes, sem localização. As palavras correm e o vazio sustenta todo o meu ser e fico vazio até não sem quando, sem vontade para nada.

04.10.2005 - 08:07h

NO SILÊNCIO DAS CORES

Deixo cair da minha alma um nome, talvez a saudade no silêncio das cores, a ânsia escondida nos meus segredos, nesta teia remendada de beijos inchados e continuo a caminhar neste imenso mar de silêncios. Deixo apenas as minhas pulsões tomarem-me, sem que sinta vontade de me envolver na tua verdade, no espólio das tuas opções... apenas este sentir actualiza-se a cada dia, enquanto a luz me toma compassadamente, num movimento redondo para preencher o que houvera sido retirado. Esta teimosia pelo infinito enceta sempre uma nova dança no meu olhar, como se as certezas fossem inabaláveis ou o amor fosse o princípio primeiro de todos os sentidos do humano. Fico embutido no crepúsculo do silêncio e solta-se a imagem da noite, onde rodopio no Outono fresco, com esta febre gelada! Procuro guarida numa outra concha, nas montanhas de tanta papelada, dissimulando o impróprio das sensações e escrevo-te em cada fôlego um outro poema, porque dessa mesma ordem, de tudo o que sinto tu és o tema. Descrevo-te a derrocada da totalidade, por mares de fantasia, pura magia, códigos sem tempo feitos do espaço da imortalidade, com o segredo das cores pelas relações que se estabelecem e as que não se concebem. É bizarro falar-te do sonho das águas da nascente, onde me abandono de olhos fechados, entre os muros secos e os esquadros da memória, onde vejo tanta gente. Inscrevo-me nas relações do conhecimento, na profundidade e na superfície, no acontecimento extraordinário conjugando diversas harmonias, com o levante do invisível e torno-me agnóstico. Apenas invoco o rasto do infinito que nos une, pela liberdade da existência à inscrição universal de tudo o que um dia te falei.

04.11.2005 - 08:32h